Morangos com Açúcar

2007-07-07

Angelico Vieira e Rita Pereira

O mais carismático dos D’ZRT confessa-se um homem de sorte. A sua carreira como músico continua, há mais de dois anos, no auge, enquanto que no amor revela ter encontrado a mulher certa. Angélico vê em Rita Pereira a sua alma gémea. Nos seus planos não consta o casamento, mas sim uma cerimónia original numa ilha paradisíaca. Filhos? Só quando tiver tempo

Ao entrar nos ‘Morangos com Açúcar’ a sua vida mudou. Com Paulo Vintém, Cifrão e Edmundo forma a banda D’ZRT, um fenómeno de êxito só explicado pela cumplicidade dos seus elementos. Angélico Vieira apresenta-se como um homem simples e revela ao Correio Vidas o seu amor pela namorada, a actriz e modelo Rita Pereira.

- Correio Vidas – Não há passatempo em revistas em que o Angélico não ganhe, por o acharem sexy. Tem noção disso?

- Angélico Vieira – Isso é bom, é positivo.

- Mas gostava de trabalhar como modelo?

- Gostava. Havia uns trabalhos com que não me identificava tanto, mas tinha o meu pé de meia, estava a tirar o meu curso.

- Acha que se não tivesse entrado para os ‘Morangos com Açúcar’ nesta altura estaria lá fora com uma carreira internacional como modelo?

- Vou contar-lhe uma história. Pouco antes de entrar para os ‘Morangos’ ia para Miami viver, já lá tinha agência e tudo tratado. Ia interromper os estudos durante um ano. Uma noite, enquanto estudava, percebi que tinha uma mensagem de voz no telemóvel. Era da agência de Miami a dizer que estava tudo acertado, inclusive alojamento. Fiquei muito contente e contei aos meus colegas que me deram força, incentivaram-me. Mas eu já tinha ido aos ‘castings’ dos ‘Morangos’ e recebi a notícia de que tinha ficado uma semana depois. Pensei que precisava de agarrar a oportunidade cá, pois lá fora eles estarão sempre lá. E foi o que lhes disse.

- Não imaginava que houvesse este ‘boom’?

– Nada. O objectivo era acabar e ir lá para fora. As oportunidades lá fora como modelo acontecem mais tarde. Faz-se publicidade, depois figuração em filmes, workshops, é outro campeonato.

- Porque decidiu ficar em Portugal?

- Fiquei porque era uma coisa certa. Tratava-se de um projecto que envolvia música e representação e isso tinha tudo a ver comigo.

- Foi como um milagre.

- Sim. As coisas acontecem.

- Como foi entrar nos ‘Morangos’?

- A melhor coisa que me aconteceu profissionalmente. Também aprendi muito como ser humano. Mas foi a rampa de lançamento para tudo, a maior montra que poderia ter em Portugal de ser observado por todos. Até então tinha de ir a ‘castings’ para me conhecerem.

- A moda internacional está fora de questão?

- Não. Não tenho é tempo e não é um objectivo, mas não está fora de questão.

- Que trabalhos tem em mãos?

- Tenho os D’ZRT, que estão na fase de produção do álbum, reuniões, ensaios, aquela fase mais de casulo. Mas temos projectos paralelos. No ano passado apresentei um programa, estive num filme e algumas coisas de moda, mas sempre no grupo.

- Quando é que vai sair o disco?

- Estamos a planear no final do Verão. Vamos já apresentar algumas coisas. Temos várias datas.

- E a representação?

- Tenho umas coisas em gaveta. Gosto muito destas áreas onde estou inserido.

- Antes já tinha jeito para a música. Tinha consciência se era bom a cantar?

- Isso as outras pessoas é que têm de tirar o seu juízo. Tinha consciência que era capaz de fazer as coisas.

- Encontrou o sucesso na sua carreira com os ‘Morangos’ e encontrou a mulher da sua vida?

- A verdade é que entrei num projecto que me abriu as portas profissionalmente e conheci uma pessoa muito especial.

- O Angélico e a Rita Pereira são muito parecidos?

- Parecemos irmãos, não é? Olhando para trás, as coisas têm corrido muito bem.

- E casar?

- Não tenho como objectivo casar-me pela igreja. Acredito numa força superior, que nos guia. Seria estúpido pensarmos que existimos só nós, e tenho fé nessa força. Há quem lhe chame Deus, Alá, eu chamo-lhe amigo com o qual converso às vezes. E esse amigo tem estado comigo. Tenho gostos muito peculiares e se calhar agora por ser conhecido as pessoas até acham piada de eu usar uma pena na orelha, pulseiras, colares. A minha ideia de casamento será talvez numa ilha paradisíaca, à beira da água, com um padre curtido, rodeado de colares de rosas, alto bronze, de havaianas, gravatinha, tronco nu. Acho que é mais essa onda.

- Tem muito orgulho na Rita?

- Acho que é uma mulher de armas, com muito talento e força de vontade. Aos poucos, as pessoas vão-se apercebendo disso. Já antes dela ser minha namorada tinha essa ideia. Força de vontade é uma característica que todas as pessoas deviam ter.

- Não pensa em ter filhos?

- Gosto muito de crianças, tenho umas primas lindas de morrer. São fogo. Ter filhos não seria fixe, pois não teria tempo para estar com eles. Raramente tenho tempo só para mim. Se fosse de férias iria preocupado, pois não tenho uma entidade patronal que me diga se posso ou não tê-las. Faço o meu trabalho.

- O que recorda da sua infância?

- Eu sou filho único mas cresci com dois tios que a minha mãe criou desde pequenos. Um deles quando nasceu, a minha avó morreu no parto, e a minha mãe, sendo a irmã mais velha, criou-o. Por isso, nunca me senti como filho único, éramos como irmãos. A minha mãe nunca me deu aquela educação de me tornar numa criança frágil, neste mundo que é uma selva. Mais tarde iria dar-me mal, de certeza. Nunca me considerei aquele ‘puto’ mimado. Por ela me ter mostrado como é que as coisas realmente são é que, desde cedo, tracei os meus objectivos. Nunca me encostei à sombra da bananeira.

- Quando era pequeno queria ser o quê?

- Tanta coisa. Via os músicos na televisão, o Michael Jackson a cantar, e dizia que queria ser artista. Nunca achei que tal fosse impossível, mas sim difícil. Eu pensava: “Se tivesse oportunidade até faria as coisas bem feitas”. Entrei para a faculdade no curso de Gestão de Distribuição e Logística e logo percebi que não era aquilo que queria. Fui para aquele curso porque sempre trabalhei nas férias de Verão, em part-time. Inscrevi-me aos 16 anos numa dessas empresas de trabalho temporário, em Lisboa, chamaram-me e o meu primeiro trabalho foi de fiel de armazém, onde reunia as notas de encomenda. Gostei, pois foi a primeira vez que senti que estava inserido na sociedade. Sentia-me útil. Aquela coisa de apanhar os transportes, ir para Lisboa, entrar no trabalho, as pessoas serem de várias etnias e de partilharem vivências, aprendi muito com isso. Via pessoas de trinta e tal anos a fazer o mesmo que eu e percebi que não queria que o mesmo me acontecesse. Aquilo foi bom para me abrir os olhos.

- É filho único, razão porque é tão apegado à sua mãe?

- Mãe há só uma. Podemos cruzar-nos com muitas pessoas na vida, percebermos que são fantásticas, capazes de nos proporcionar segurança e lealdade, seres humanos fantásticos, mas poderão sempre haver surpresas desagradáveis. Aquela pessoa que muito dificilmente nos poderá dar uma dessas surpresas é a mãe, porque saímos dela e vai querer sempre o nosso bem.

PERFIL

Sandro Milton Vieira Angélico nasceu na Maternidade Alfredo da Costa no dia 31 de Dezembro de 1982. “Dizem que nasci já no dia 1 de Janeiro, à meia-noite e qualquer coisa, mas fui registado a 31. Na altura, parece que o Estado dava benefícios ao primeiro bebé do ano e eu pelos vistos fui o primeiro, mas logo a seguir nasceu uma menina. No entanto, acho que seria filha de toxicodependentes e a minha mãe percebeu. Falou com o médico e trocaram, de modo a que fosse ela a primeira do ano e a ter os privilégios”, conta o jovem.

Antes de entrar para os ‘Morangos com Açúcar’, fazia trabalhos como modelo e frequentava o curso de Gestão de Distribuição e Logística. Mas foi a série da TVI que o tornou famoso e onde fundou os D’ZRT, com Paulo Vintém, Cifrão e Edmundo. Namora com Rita Pereira, que conheceu nos ‘Morangos’.

É filho único e actualmente vive sozinho. “Saí de casa na altura em que fui gravar os ‘Morangos’. Aluguei uma nas Olaias. Na altura justificava-se, pois entrava muito cedo, saía tarde, tinha faculdade à noite e não me dava jeito ir para a Margem Sul.”, diz Angélico, confessando que continua a ter na mãe o seu grande apoio, a par dos companheiros de banda. Para o músico, os D’ZRT são o seu orgulho e nunca se iludiu com a fama. “É claro que não me passou ao lado. Mas sei de onde vim e a pessoa que sou”, justifica. Angélico escolheu ser fotografado junto a um dos seus espelhos preferidos. “Gosto de espelhos grandes”, diz.

REFLEXO

- Correio Vidas – O que vê quando se olha ao espelho?

- Angélico Vieira – Vejo um puto com uma vida pela frente, com muito para aprender e muita vontade para fazê-lo. Quero tornar-me num ser humano e num profissional mais valioso.

- Gosta do que vê?

- Estou contente com o que sou e isso é o suficiente para ficar bem comigo. É o que me chega, gostem ou não.

- Alguma vez lhe apeteceu partir o espelho?

- Nunca. Seria um acto violento e isso não tem nada a ver com a minha maneira de ser.

- Sai de casa sem olhar para o espelho?

- Se estiver com pressa talvez. Mas tenho cuidado com a minha imagem, mesmo antes de ser figura pública. Não sou um metrossexual, mas tenho cuidado em ter bom ar, não gosto de estar desleixado. Não é sinónimo de ser vaidoso, mas as pessoas devem arranjar-se quando saem. Isso torna as pessoas mais fortes. Quando estamos em baixo isso reflecte-se na imagem. Às vezes é preciso levar uma rasteira bem dada para sentir a dor da queda, levantar e dizer que não se quer cair mais. Se a pessoa estiver bem com ela, então está sempre defendida.

- Quem gostaria de ver reflectido no espelho?

- Fisicamente não gostava de ser parecido com ninguém. A nível de carácter, há muitas pessoas que admiro, mas não quero falar de nomes.

- Uma pessoa de referência?

- A minha mãe.

- E é ela a única a quem confia o seu cabelo?

- A minha mãe é a melhor cabeleireira que conheço. Só ela é que me corta o cabelo. Para fazer um filme, tinha de aparecer com o cabelo curto e ela conseguiu fazê-lo sem uma única tesourada. Não tenho nenhuma paranóia com o cabelo, apenas me sinto bem com ele comprido.

- Um momento marcante?

- O concerto no Pavilhão Atlântico, em 2005, quando estava pendurado lá em cima antes de abriram a cortina. O pavilhão estava lotado e há assim uns cinco segundos que é só flashes a disparar e isso é uma imagem que não consigo reproduzir em palavras. Marcou-me tanto que até me atrapalhou no início do concerto. Somos tão pequenos num espaço tão lindo, perante milhares de pessoas, que te custa a digerir aquilo.

- Qualidade e defeito?

- O defeito é querer fazer tudo num espaço de tempo que não é possível, o que me leva por vezes a fazer borrada. Arrisco-me a falhar. Qualidade prefiro que sejam os que me conhecem a dizer. E aceito os meus defeitos e qualidades com tranquilidade.
Autora: Helena Isabel Mota
Fonte: CM

1 Comentários:

Blogger Miguel disse...

Eu acho a Rita Pereira a mulher mais sexy de Portugal...

11:03 da manhã  

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