Morangos com Açúcar

2007-05-28

Joana Solnado - Estou feliz com o que tenho

É uma das caras mais conhecidas do pequeno ecrã em Portugal. Confessa-se apaixonada pelo seu trabalho e diz que não existe palavra mais forte na vida do que amor. Casar na Igreja vestida de branco é algo que não está nos seus planos, pois prefere comemorar com uma grande festa na praia para a família e os amigos. Hoje em dia garante viver em paz.

Vem de uma família de artistas e o apelido fala por si. Neta de Raul Solnado, com quem irá contracenar pela primeira vez na telenovela ‘Ilha dos Amores’, Joana é, aos 23 anos, uma das actrizes mais requisitadas em Portugal. Durante muito tempo namorou com o também actor Diogo Amaral, mas, neste momento, não revela se tem o coração livre.

Correio Vidas – O seu pai [Rui Madeira] é músico, trabalhou com o seu padrasto [o actor Thiago Justino] e vai contracenar com o seu avô na novela. Como se mistura família e trabalho?

Joana Solnado – É bom, porque além de estarmos a trabalhar sentimo-nos em casa. São duas coisas boas. É maravilhoso juntar o útil ao agradável. Agora estou a gravar com o meu avô, que é o meu médico na novela, e, curiosamente, até me cruzo poucas vezes com ele. É uma pessoa de casa no trabalho, mas sabemos dividir muito bem as coisas. É muito carinhoso estar com ele.

– O seu pai não é uma figura pública, como alguns membros da família, e a Joana já se queixou de que não passa muito tempo com ele. Qual a vossa relação?

– Eu não me queixo, lamento-me. Claro que gostava de passar mais tempo com ele. Ele reside no Algarve e eu também passo muito tempo fora em gravações. Costumo dizer que ele está longe fisicamente, mas não está distante, está perto. É um pai hiperpresente, sempre foi, falamos quase todos os dias ao telefone e, quando posso, vou lá passar um fim-de-semana. A nível intelectual não podia estar mais com ele, apesar da distância.

– O seu irmão Gabriel, de 11 anos, nunca perde uma oportunidade de lhe dizer o que pensa do seu trabalho. As crianças, por vezes, conseguem ser cruéis. Ele diz muitas verdades?

– É o meu maior crítico e diz tudo o que tem a dizer. Às vezes custa um bocadinho ouvir, mas até costuma ter razão. Como tal, ouço com muito cuidado o que diz e tento não o reprimir nesse sentido. Quero mesmo é que ele diga o que acha, para que eu saiba se há algo a corrigir. É que as pessoas não costumam dizer as verdades todas. Há que conservar as críticas e os conselhos que nos dão.

– A Joana estudou num colégio de freiras, mas parece que não era nenhum ‘anjinho’. E diz-se um pouco desiludida com a Igreja.

– Não é desiludida, apenas nunca fui católica. Quando era pequena ia às vezes à missa, porque a minha avó assim o queria. Mas eles não me deixavam comer a hóstia e eu ficava zangada. Nunca pratiquei.

– Essa maneira de estar invalida um casamento da forma tradicional, na igreja, vestida de branco?

– Claro que sim. Quando era mais nova, sonhava entrar na igreja de véu e grinalda, mas hoje em dia sonho fazer uma grande festa na praia, com os meus amigos e familiares. Será uma festa para mostrar o quanto vou estar feliz. Mas casamento não.

– E filhos?

– Qualquer mulher deseja ter filhos. Não conheço uma que não queira. Mas não faço planos. Agostinho da Silva tem uma frase maravilhosa: “Não faças planos para a vida, que podes estragar os planos que a vida tem para ti.” Eu vou muito com o vento. Vamos ver o que a vida me reserva.

– Namorou com Diogo Amaral durante bastante tempo. Achava que era o homem ideal?

– Não falo sobre isso.

– O que representa o amor para si?

– Nesta vida temo-nos uns aos outros e mais nada, como disse uma vez José Luís Peixoto. Por isso, dou muita importância às pessoas e às relações que mantenho com elas. Amo a vida de uma maneira muito forte. Não há palavra mais forte do que amor.

– Quando era adolescente teve um problema de saúde que transformou a sua família.

– Esse não é um assunto tabu, apenas nunca encontraram uma explicação para o que eu sofria.

– Foi o pior período da sua vida?

– Para a minha família foi. Para mim, não, pois não me lembro de absolutamente nada. Tinha uns 14 anos.

– Devido a esse problema de saúde, a sua mãe, Alexandra, voltou-se para um plano mais espiritual. Tenta também aí encontrar ajuda?

– Eu medito para procurar em algo não material a minha paz interior. Em tudo na vida a matéria vem sempre em segundo plano

– Cria muitas expectativas na sua vida?

– Faço precisamente o contrário. Tento não criar nenhumas. Aliás, tento viver no zero para que tudo o que chega seja um bónus.

– Já teve alguns papéis mais ousados na sua carreira. Era capaz de se despir para uma revista por dinheiro?

– Posar nua? Duvido muito, mas, mais uma vez, iria depender das circunstâncias e da fase da vida.

– E se fosse hoje?

– Não. Talvez, se fizer um papel que em cinema faça sentido, então não terei o menor problema. Sendo um papel como Joana, não.

– Como se sente actualmente?

– Estou muito contente com o que sou, com o que tenho e o que demonstro. É verdade que, neste momento, me sinto muito em paz. E sempre procurei esta paz.

– E de onde vem toda essa paz?

– Para ser sincera, não sei bem. Mas talvez porque trabalho bastante para estar assim, medito bastante. Ajuda-me a encontrar a paz interior e isso reflecte-se no que demonstro às pessoas.

– Como se imagina aos 50 anos?

– Nunca parei para pensar nisso e não é algo que me preocupe muito. Tenho coisas mais importantes em que pensar hoje em dia. Sei apenas que a representação é a melhor forma de obter prazer da minha vida e espero que o seja durante muito tempo. Não sei se aos 50 vou estar a representar, a fazer o que faço hoje, mas gostava.

– Costuma dizer que tem um grande defeito, que é pensar muito.

– Essa é uma grande verdade. A minha cabeça por vezes não pára, chego mesmo a cansar-me dela. Mas tento lutar contra isso. Às vezes é preciso pensarmos e construirmos as coisas na cabeça. Contudo, também há que fazê-lo com alguma emoção, em especial, no trabalho. Tenho muito essa luta da emoção com a cabeça, com o raciocínio. E tento encontrar o equilíbrio desses factores importantes na personalidade de uma pessoa. Tento trazer mais a emoção e deixar a cabeça um pouco de lado. Mas por vezes é difícil.

– Quer então dizer que gostava de ser mais impulsiva?

– Adorava ser mais espontânea, sem ter de ponderar muito sobre as coisas. Umas vezes é bom, outras não.

– Tem medo de envelhecer?

– Medo não, mas tenho algum receio, isso sim. Dizem que as coisas começam a cair, depois aparecem algumas rugas, começamos a não ter tanta energia como antigamente. E isso da energia, do físico não responder da mesma maneira, confesso que me faz alguma confusão. A parte estética não me preocupa assim tanto, mas o lado energético sim. A dinâmica de uma pessoa quando é jovem é completamente diferente.

REFLEXO

– O que vê quando se olha ao espelho?

– Simplesmente a Joana.

– E gosta do que vê?

– Claro que sim.

– O que mudaria na sua imagem?

– Não mudaria nada. Como já disse, estou muito contente, feliz e satisfeita com tudo o que a natureza me deu. Não quero nem pretendo acrescentar mais nada.

– Quem gostava de ver reflectido no espelho?

– Ninguém mais do que eu (risos). Tenho vários ídolos, pessoas de quem gosto muito, mas são apenas referências, não gostava de me tornar em nenhuma delas.

– Já alguma vez lhe apeteceu partir o espelho?

– Nem pensar. Isso seria um grande desperdício.

– Uma pessoa de referência?

– A minha mãe.

– Um momento marcante?

– Quando o meu irmão Gabriel nasceu.

– Qualidade e defeito?

– Não penso muito nisso. Não faço ideia.

– Gosta de conquistar ou prefere ser conquistada?

– Depende das circunstâncias, do momento.

– E é sonhadora?

– Sou bastante sonhadora e acho que todos devemos ser. Gosto de sonhar muito alto, para que, mesmo quando só chegar a meio caminho, já seja muito bom.

– Apesar de ser figura pública, já disse que não passa muito tempo a tratar de si. Não é escrava da beleza?

– Adoro olhar para o espelho e gostar daquilo que vejo. Mas não sou o género de pessoa que passa horas em frente ao espelho para tratar de si ou tentar fazer algo diferente. Esforço-me para ser o mais natural possível. Tento aproveitar o que a natureza me deu e não disfarçar as coisas.

– É muito vaidosa?

– Sou um bocadinho. Todos os actores são um pouco vaidosos, caso contrário não gostariam de se expor. Mas não sou muito. Apenas o suficiente.

– A Joana Solnado é romântica?

– Sou o suficiente.

– E é mais para os outros ou o contrário?

– Isso são coisas minhas.

– Mas tem uma paixão por carteiras, chapéus e sapatos. De onde surgiu esse amor?

– As carteiras e chapéus surgiram porque a minha avó, nos anos 30, usava-os sempre a condizer. Tenho uma colecção imensa que me deixou. Já os sapatos nem sei explicar, apenas porque gosto de me sentir confortável nos pés.

– E não usa nenhuns desses acessórios que herdou da sua avó?

– Não. Nem é por serem fora de época, mas apenas porque não os quero estragar. É uma herança muito rica.

PERFIL

Joana Solnado nasceu a 21 de Setembro de 1984 no seio de uma família de artistas. Estreou-se aos 14 anos com a peça ‘King I have a Dream’ e teve formação de teatro com o padrasto, o actor Thiago Justino. Filha do músico Rui Madeira e da escritora Alexandra Solnado, Joana frequenta o Curso de Ciências da Comunicação e Cultura, vertente Cinema, na Universidade Lusófona.

Sonha fazer cinema e, sempre que pode, adora fazer equitação com a égua Pipoca. Joana Solnado acabou por alcançar maior notoriedade no pequeno ecrã. ‘Tempo de Viver’, ‘Morangos com Açúcar’, ‘O Último Beijo’ e ‘Como uma Onda’, esta da Rede Globo, são só alguns dos nomes de produções onde Joana Solnado participou. Agora dá a cara em ‘Ilha dos Amores’. Joana Solnado foi fotografada para esta entrevista num espelho da Organics, marca à qual se associou. “Penso que esta união é a ideal.”
Autor: João Tavares
Fonte: CM

2 Comentários:

Anonymous fia87 disse...

Obrigado pela entrevista! Adoro a Joana Solnado! E pena nao haver mais coisas sobre ela nos blogs e nos sites.

1:16 da tarde  
Blogger Webmaster disse...

Vamos tentar sempre que possível colocar mais coisas sobre a Joana Sonaldo.

2:16 da tarde  

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